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Epigenética: A nutrição dos pais pode alterar a saúde dos filhos

epigenética

19 mar Epigenética: A nutrição dos pais pode alterar a saúde dos filhos

Artigo de especialista –

Pollyanna Patriota 

Profª de Nutrição – UFTM

Pesquisadores comprovaram que doenças crônicas poderiam ser prevenidas por várias gerações através de modulação epigenética mediada pela nutrição.

O que é Epigenética?

São variações não-genéticas adquiridas durante a vida de um organismo e que podem frequentemente serem passadas aos seus descendentes. Dessa forma, as características fenotípicas poderiam ser alteradas por meio de modificações no estilo de vida e pelo ambiente em que o indivíduo vive.

Na prática, uma mãe ou pai com genes que predispõe à obesidade, diabetes ou câncer, se tiver um excelente acompanhamento clínico-nutricional (e fizer alterações em seu estilo de vida, antes mesmo de engravidar) poderia reverter estas heranças que chamamos de transgeracional.

Ao mesmo tempo, pais com estilo de vida sedentários, com hábitos alimentares inadequados, tabagistas, alcoolistas ou dependentes de outras drogas já sabem que estão influenciando de forma negativa no desenvolvimento da epigenética de seus filhos.

epigenéticaNutrição e herança epigenética

Até mesmo a formação da placenta depende de genes do pai e da mãe, cada um com sua função específica. Os genes de origem paterna seriam responsáveis pelo desenvolvimento normal da placenta e, por sua vez, os genes maternos seriam extremamente importantes no crescimento e desenvolvimento do embrião.

Pensando na fertilidade, sabe-se que alterações bruscas no ciclo circadiano, como o que ocorre com pessoas que não têm um horário certo para dormir, podem ter sua capacidade de concepção drasticamente afetada e são mais propensos a alguns tipos de câncer.

Importante destacar que pesquisadores têm identificado cada vez mais influências de alterações nas expressões de genes paternos e maternos e aumento do risco de desenvolvimento de algumas doenças, tais como: autismo, esquizofrenia na vida adulta, câncer de variados tipos e até mesmo algumas síndromes genéticas.

Prevenção de doenças

Desse modo, intervenções nutricionais podem modular a expressão dos genes associados a desenvolvimento destas doenças. Essa é atualmente uma área de destaque na pesquisa epigenética.

Portanto, a nutrição ocupa cada vez mais destaque na prevenção de doenças, reconhecida pelo mundo científico. Cabe às autoridades governamentais instituir políticas públicas que venham possibilitar que as pessoas tenham acesso, o mais cedo possível, a um acompanhamento nutricional individualizado, com foco na prevenção de doenças.

Quando falo de Nutrição, refiro-me à implementação de uma alimentação saudável, com alimentos puros, livres de contaminantes, vindos da natureza, minimamente processados. Produtos alimentícios ultraprocessados são altamente prejudiciais à saúde materno-infantil e contribuem para o desenvolvimento de todas as doenças anteriormente citadas.

Somos o que comemos

Na antiguidade, Hipócrates (460 a 377 a. C) já nos alertava que “Somos o que comemos”, mas nós somos também o que nossos antepassados comeram (pais e avós) e como solução para isto, novamente Hipócrates já nos dizia (e que cada dia mais os cientistas estão confirmando na atualidade): “Que teu alimento seja teu remédio e que teu remédio seja teu alimento”. É, portanto, na alimentação saudável que está o segredo para a prevenção e cura de diversos males.

Orientações importantes:

– Antes de engravidar, os pais devem procurar acompanhamento médico e nutricional, ao menos um ano antes da concepção. Bons profissionais saberão orientá-los e planejarão modificações gradativas em seus estilos de vida que resultarão em uma grande melhoria em seu estado geral de saúde.

–  Se já está gestante, compareça às consultas de pré-natal e procure um acompanhamento nutricional personalizado (nada de dietas “padrões” ou listas de alimentos). Uma intervenção nutricional individualizada e sem modismos ou radicalismos é a única forma segura de favorecer um bom desenvolvimento fetal.

–  Se seu filho já nasceu, procure acompanhamento pediátrico e de nutricionista. Ofereça uma alimentação saudável e jamais introduza em sua alimentação produtos que fingem ser alimentos (ultraprocessados).