A desnutrição no Brasil acabou? - CREN
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A desnutrição no Brasil acabou?

desnutrição no Brasil

17 ago A desnutrição no Brasil acabou?

Artigo de especialista –

 Profa. Dra. Ana Lydia Sawaya

 Unifesp/ CREN –

A desnutrição no Brasil acabou? Embora muitos digam que sim, não é verdade.

Onde está a maioria das crianças desnutridas? Nas favelas e nas periferias dos centros urbanos.

Qual é o tipo de desnutrição mais frequente em nosso país? A desnutrição de baixa estatura, que ocorre quando a criança não cresce adequadamente devido à má alimentação (quantidade e qualidade) e a infecções frequentes. Más condições de saneamento básico provocam as contaminações.

Há mais de dois milhões de moradores em favelas no município de São Paulo, de acordo com dados da Secretaria de Habitação da cidade. Naquelas comunidades em que as condições de saneamento básico são precárias, a proporção de crianças desnutridas pode chegar a 10% ou mais. Mas é difícil diagnosticá-las, pois seu acesso aos serviços de saúde básica é precário e intermitente.

Desnutrição no Brasil

Em geral, as crianças desnutridas moram em áreas mais isoladas e têm uma condição familiar difícil. Isso prejudica seu crescimento adequado, seja por falta de informação da mãe, seja por falta de condições de buscar recursos para a família. A dificuldade da mãe de cuidar de seus filhos, pela sua vida atribulada, também interfere no crescimento.

Muitas dessas famílias não recebem o benefício do Programa Bolsa Família, devido à dificuldade de ir atrás desse recurso. Elas fazem, então, a experiência da solidão e da impotência. Muitas têm problemas com a justiça e um membro em conflito com a lei.

CREN – Centro de Recuperação e Educação Nutricional

Esse é o quadro das famílias que recebem tratamento para seus filhos desnutridos no CREN – Centro de Recuperação e Educação Nutricional, ONG que possui duas unidades em São Paulo e uma em Maceió. São centros que tratam de milhares de crianças anualmente, direta e indiretamente através dos serviços de saúde e educação. O CREN faz “busca ativa” dessas crianças nas comunidades e não espera que elas cheguem sozinhas ou por conta própria nos postos de saúde ou hospitais.

Essa experiência tem repassado sua metodologia a iniciativas semelhantes aos países da América Latina e Caribe assim como a alguns países africanos. É inegável a melhoria das condições de vida de muitos pobres brasileiros desde 1970 quando a desnutrição começou a ser sistematicamente avaliada. Vários são os programas que ajudaram, como por exemplo, a aposentadoria rural e mais recentemente o Bolsa Família, este sobretudo no Nordeste.

Atribui-se por outro lado, um grande impacto à melhoria das condições de moradia e a ampliação do acesso aos serviços de saúde para a queda na desnutrição. Mais até do que os programas mais recentes de transferência de renda.

Fatores da desnutrição

Embora morram menos crianças com desnutrição, outros problemas têm aumentado e fazem com que não possa ser considerada erradicada a desnutrição no Brasil. A fragilidade da estrutura familiar, as famílias monoparentais (quando apenas um dos genitores é responsável por criar o filho), a violência e drogadição (dependência química) são exemplos. E as crianças são as principais vítimas dessa nova situação.

É evidente, assim, que não basta a distribuição de bens materiais, alimentos ou dinheiro para a solução desse problema que é o mais infame de todos e o mais injusto: não dar a uma criança a condição de sobreviver adequadamente.

Tampouco é suficiente a oferta de estruturas escolares, que na sua burocracia ou dinâmica não permitem aos professores e alunos um ambiente propício a uma verdadeira experiência educativa e formativa.

Condivisão

É preciso ir ao encontro dessas mães, crianças e famílias e oferecer-lhes um suporte humano em todos os aspectos. No CREN chamamos esse método de intervenção de método da condivisão. É necessário um “fazer com” e não apenas um “fazer para”, fortalecendo sua autonomia e responsabilidade para com a própria vida.