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Vício alimentar: origem, prevenção e impacto na obesidade

vício alimentar

27 abr Vício alimentar: origem, prevenção e impacto na obesidade

Artigo de especialista –

Profa. Dra. Maria Paula de Albuquerque –

Coordenadora clínica médica do CREN –

 

O vício alimentar está associado ao fato de que certas pessoas podem desenvolver padrões de comportamento descontrolados ao consumir substâncias que causam prazer.

Vício alimentar : origem

A alimentação de um povo sempre foi uma das características mais específicas de cada cultura. Mesmo assim, as indústrias e o comércio de alimentos desenvolveram técnicas para venda e para indução de hábitos alimentares que ultrapassaram as influências culturais de cada povo.

Os três componentes da dieta moderna são: açúcar, gordura e sal. Alimentos ricos nesses ingredientes geram mais emoções positivas em comparação a outros alimentos, o que aumenta a motivação para obtê-los.

Nosso organismo desenvolveu um apetite particular por açúcar e gordura, pois garantem mais energia, enquanto o sal garante o balanço hidroeletrolítico vital para o funcionamento do organismo.

Esses componentes, quando combinados e acrescentados em maior quantidade à comida, direcionam o consumidor a comer na ausência de fome, não enjoar e lembrar-se com mais facilidade da sensação prazerosa a ponto de escolher e preferir aquele produto entre outros. É o vício alimentar.

Comida viciante?

Sabe-se que o vício por drogas resulta da usurpação das vias neurológicas que estão envolvidas e regulam os sistemas de recompensa, motivação, tomada de decisão, aprendizado e memória. O comportamento de ânsia pela droga não é motivado apenas pelos efeitos “prazerosos” da droga, mas também, pelo estado negativo e de mal-estar causado pela sua abstinência.

Vários estudos científicos apontam que seres humanos que apresentam avidez por ingestão de açúcares e alimentos processados possuem alterações nos centros nervosos e neurotransmissores semelhantes às descritas em dependentes químicos.

Estratégias que visem drásticas reduções de peso, dietas restritivas ou mesmo cirurgias bariátricas que não levem em consideração a presença possível de vício alimentar e incluam o tratamento deste distúrbio terão pouca ou nenhuma chance de sucesso em longo prazo.

Vício alimentar : Prevenção

É de extrema importância cuidar da nutrição desde o início, desde a gravidez. A alimentação da gestante interfere no crescimento e desenvolvimento do feto, mas também é fator de aquisição e desenvolvimento do paladar da criança. Estudos apontam alteração do sabor do líquido amniótico de acordo com a dieta materna.

A introdução da alimentação complementar deve acontecer a partir do sexto mês exclusivamente com alimentos in natura ou minimamente processados.

A partir do primeiro ano de vida as refeições de sal devem ser semelhantes às dos adultos. Podem ser consumidos todos os tipos de carnes. Deve-se estimular o consumo de frutas e verduras, lembrando que aquelas de folha verde escura apresentam maior teor de ferro, cálcio e vitaminas.

Açúcar

A Organização Mundial da Saúde estabeleceu o limite de até 10% da ingestão energética total para o consumo de açúcar e o mesmo critério foi adotado pelo Ministério da Saúde brasileiro. O consumo de refrigerantes aumentou em 20% dos 3 aos 17 anos de idade.

O consumo de açúcar é um dos principais responsáveis pelo ganho de peso excessivo de crianças e adolescentes e pelo aumento futuro no aparecimento de diabetes e doenças cardiovasculares.

Sal

O sal adicionado durante o processamento industrial é responsável por mais de três quartos do sal ingerido. O aumento na ingestão de sal é sempre acompanhado por aumento na ingestão de líquidos e na pressão arterial. Como consequência, a ingestão elevada de sal é um dos fatores responsáveis pelo aumento do consumo de refrigerantes e bebidas açucaradas.

Evite alimentos ultraprocessados

Prefira sempre alimentos in natura ou minimamente processados e preparações culinárias a alimentos ultra processados.

  • Opte por água, leite e frutas no lugar de refrigerantes, bebidas lácteas e biscoitos recheados;
  • Não troque comida feita na hora (sopas, saladas, molhos, arroz e feijão, legumes e verduras) por produtos que dispensam preparação (sopas “de pacote”, macarrão “instantâneo”, pratos congelados, sanduíches, frios e molhos industrializados).
  • Utilize óleos, gorduras, sal e açúcar em pequenas quantidades.