Encontro do CREN tem palestra com Clóvis de Barros Filho
A busca da felicidade. Esse foi o tema que esteve em todas as atividades da última parada multiprofissional do CREN – Centro de Recuperação e Educação Nutricional, que aconteceu no último dia 03. Mensalmente, todos os funcionários da instituição se reúnem para trocar experiências e vivenciar momentos motivacionais tanto para o trabalho, mas especialmente para a vida pessoal.
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Encontro do CREN tem palestra com Clóvis de Barros Filho

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09 jun Encontro do CREN tem palestra com Clóvis de Barros Filho

A busca da felicidade. Esse foi o tema que esteve em todas as atividades da última parada multiprofissional do CREN – Centro de Recuperação e Educação Nutricional, que aconteceu no último dia 03, com destaque para a apalestra de Clóvis de Barros Filho. Mensalmente, todos os funcionários da instituição se reúnem para trocar experiências e vivenciar momentos motivacionais tanto para o trabalho, mas especialmente para a vida pessoal.

CLOVIS E PLATEIAO dia começou logo cedo na unidade da Vila Jacuí do CREN. A equipe de integração compartilhou histórias comoventes de famílias e pacientes que estão superando obstáculos em busca de uma vida mais digna, equilibrada e, consequentemente, feliz. Destaque de várias falas foi a importância da co-divisão dos desafios, em que todos os profissionais aprendem a lidar com as situações-limite de forma conjunta, partilhando as descobertas e vivenciando a realidade de cada usuário do serviço.

Clóvis de Barros Filho

Com uma palestra empolgante, que arrancou risos e reflexões de toda equipe do CREN, o professor universitário Clóvis de Barros Filho fez um relato dinâmico da história da felicidade na humanidade.

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Clóvis de Barros Filho

Começando pelo filósofo grego Epicteto, Barros Filho, que é também jornalista e advogado, relatou que o pensador da Antiguidade acreditava que a felicidade era feita de surpresas boas, incontroláveis pelo ser humano.

Amor platônico

Seguindo um percurso cronológico, o palestrante falou do conceito de felicidade para Platão. De acordo com esse grego, a felicidade estava relacionada com o amor, que ele traduzia como desejo. O grande paradoxo desse conceito é que, uma vez que o desejo acontece sempre por aquilo que o indivíduo não tem, a busca da felicidade se eterniza por meio de um mecanismo frustrante de alcance do desejo e desprezo pelo que se conquistou.

Nos tempos de hoje, o legítimo conceito de amor platônico aparece muitas vezes no plano profissional, especialmente quando o trabalhador idealiza a constante ascensão na carreira, que acaba se traduzindo pela sensação de que sempre existe alguém hierarquicamente superior. Barros Filho é assertivo: “Somos enganados a vida inteira pela busca de felicidade por essa ótica. Se você vincular a felicidade ao desejo, você nunca vai ser feliz. ”

A natureza do homem

Segundo Clóvis de Barros Filho, para o discípulo de Platão, Aristóteles, a felicidade acontece quando o ser humano consegue desabrochar a sua própria natureza. Para exemplificar o conceito, o professor comparou o ser humano a uma muda de goiabeira. A muda que cresce e frutifica alcançou o desabrochar da natureza, enquanto muitas outras não conseguirão atingir esse nível de plenitude. Nesse sentido, o professor fez uma provocação para o público explorar o que há de melhor em cada um.

Hora feliz?

CLovis e CRENPara contrapor a definição aristotélica de felicidade, o palestrante citou o costume frequente das pessoas de se reunirem após o encerramento do trabalho no chamado “happy hour”, para confraternizarem em bares e restaurantes. “O happy hour, ou seja, a ‘hora feliz’ pressupõe que a felicidade começa depois que a jornada de trabalho acaba. É o mesmo sentimento de torcer para a segunda-feira ou a semana acabarem, pensando que a felicidade vai estar no fim do dia ou no fim de semana. No limite, você está torcendo para a vida acabar. Você é um suicida covarde”, conclui Barros Filho.

Jesus

Então, o professor chegou a Jesus Cristo, a quem classificou como um dos maiores filósofos da humanidade, para além da religiosidade. Segundo o judeu da Galileia, para a vida valer a pena, é preciso dedicá-la aos outros a fim de criarmos condições para os outros viverem melhor. Isso é a felicidade. Tal conceito dá um ‘curto-circuito’ na ideia de que para ser feliz é imprescindível ter sucesso e reconhecimento. Pelo pensamento cristão, o trabalho está essencialmente pautado no outro.

Nesse sentido, a atividade do médico, do professor, do padeiro, do pedreiro, do caixa do banco, enfim, da vasta maior parte das profissões já preenche o ser humano de satisfação, por conseguinte, de felicidade. Em uma instituição sem fins lucrativos como o CREN – que trabalha pela recuperação de jovens desnutridos – toda a cadeia produtiva está a serviço do outro.

Repeteco

equipe CRENFazendo uma análise pessoal, com base em todo o conhecimento histórico, Clóvis de Barros Filho conceituou assim a sua felicidade. “Para mim, é aquele instantezinho da vida que gostaria de repetir. Acontece quando saímos do cinema e ficamos com vontade de voltar para levar alguém para ver o filme, ou quando conhecemos alguém e trocamos os contatos para reprisar o encontro. É o contrário do ‘happy hour’, porque você não quer que o dia acabe para poder ser feliz. A felicidade está nesses instantes”.

Partilha

As lições que Barros Filho passou à equipe do CREN só foram possíveis graças à insistência da enfermeira do CREN Vila Jacuí, Ynara Ruza, que teve a ideia de pedir ao palestrante para vir gratuitamente a um dos encontros multiprofissionais. Ela conta que conheceu o trabalho do professor em um momento de transformação pessoal e que, quando chegou ao CREN, lembrou diversas vezes daqueles ensinamentos. “Ele tem um conhecimento científico vasto e consegue traduzir de uma forma simples para o público leigo. Fico muito feliz por ter dividido essa experiência com todos”. Ao final da palestra, a direção do CREN sorteou dez livros autografados pelo autor, com o título “A vida que a vale a pena ser vivida”.

Sustentabilidade

Na última etapa do encontro, o empresário e consultor Arnaldo Betta, parceiro do CREN, tratou da sustentabilidade e dos impactos negativos da ação do homem no meio ambiente. Ele criticou a atual equação para a felicidade do mundo, em que empresas se obrigam a sempre crescerem e em que os indivíduos miram ganhar cada vez mais, para ter mais poder de compra.

Para Betta, o comportamento consumista atua diretamente como divisor ecológico entre o homem e o planeta, o que precisar parar. “Sempre que queremos um resultado diferente, temos que parar, respirar e então mudar para obter o resultado”. Nesse caminho, foi proposta uma atividade em conjunto com todo a equipe do CREN, em que os funcionários sugeriram medidas sustentáveis que poderiam ser no ambiente profissional. A ideias serão avaliadas e organizadas por Betta, para então serem efetivamente aplicadas no CREN.